segunda-feira, 31 de outubro de 2011

É recomendado acompanhar a história ouvindo cada faixa do Mylo Xyloto.
Essa é a minha leitura do novo álbum, mas sinta-se livre para imaginar além, incluindo e excluindo detalhes.

Paris, maio de 1968.

Quando os estudantes saíram às ruas de Paris, em 1968, confrontando o sistema, a ordem política e os costumes sociais, estava deflagrado o maior movimento social do século XX. Em 30 dias de protestos, as transformações sociais concentraram o que se levaria mais de uma década para acontecer. Os confrontos entre jovens estudantes e policiais, acontecidos em maio daquele ano, contou com a adesão de trabalhadores, mobilizou a França e espalhou-se para o restante do mundo ocidental. As manisfestações tomaram características de Revolução.

Explodiram discursos pelas universidades, pelas ruas de Paris, palavras de ordem ousadas e frases revolucionárias emblemáticas eclodiram pelos muros da cidade, cartazes movidos pela genialidade criativa serviam de escudos para os estudantes, que nas ruas mostravam aos pais, governantes e filósofos da ideologia pós Segunda Guerra Mundial, que um novo mundo, novos costumes, desenhavam-se na história, e que as mudanças vieram para ficar. Era o clamor que exigia uma nova condição para a mulher diante da sociedade, da visão sem tabus ao sexo livre, do amor sem o casamento, da instituição familiar sem o conservadorismo secular das religiões, da liberdade que se perseguia e que já não se podia conter.

Jorge Bichuetti


1. Mylo Xyloto: O prelúdio anuncia um passado levemente trazido à tona. Mylo e Xyloto, nossos dois personagens, nutrem uma grande paixão desde a adolescência. Lembranças, confidências, sonhos partilhados. Mas naqueles tempos passados, embora a calma fosse amiga e o amor bem presente, o conservadorismo, a visão unilateral e os paradigmas de uma sociedade arcaica impediam o avanço de qualquer sonho.

Os segundos iniciais do álbum são uma espécie de flashback, e percebemos a transição deste mundo, onde tudo era estranhamente pálido e enraizado, para o mundo agora caótico e libertador.

2. Hurts Like Heaven: Perto das manifestações, em algum parque da capital francesa, um escrito ganhava destaque – “Do you ever get the feeling that you're missing the mark?“ (Você já teve a sensação de estar errando o alvo?), e um outro era um claro desabafo - “I struggle with the feeling that my life isn't mine” (Eu luto com a sensação de que minha vida não é minha). Era a voz do povo que encontrava no silêncio das palavras uma forma de expressar a revolta contra o sistema. Era um descontentamento convulsivo, alimentado pelas mudanças sociais que aconteciam um pouco por todo o mundo.

Mylo se identificava profundamente com aquilo, mas a cada passo sentia um aperto, um frio por dentro – “It's so cold, it's so cold” (É tão frio, tão frio). Se sentia assim não pelo avanço das manifestações, mas pela falta da sua amada. Na fase inicial das manifestações os dois foram separados. Xyloto também fazia parte do movimento, encabeçando uma ala que defendia os direitos da mulher. Ela foi presa quando pregava cartazes contra o sistema convocando as mulheres a se juntarem às manifestações e lutarem por seus ideais. Sem armas, apenas com palavras e o sentimento de liberdade. Mylo é obrigado agora a conviver com essa dor.

“Oh you, use your heart as a weapon
And it hurts like heaven”

(Oh você use seu coração como arma
E isso machuca como céu)

A manifestação ainda perdurava nas ruas da capital, com calçadas destruídas, vidros partidos, postes derrubados e carros incendiados, assumindo claramente ares de uma cidade rebelada. E o povo bradava: “Don't let them take control / No we won't let take control” (Não deixem eles tomarem o controle. Não, nós não vamos deixar tomar o controle).

Mylo olhava para tudo aquilo, mas o seu pensamento estava bem longe. Perdidamente confuso, disperso e nervoso decide tentar exprimir os seus sentimentos em palavras silenciosas – “On concrete canvas I'll go making my mark. Armed with a spray can soul." (Numa tela de concreto eu vou fazendo minha marca. Armado com um spray da alma).

3. Paradise: Sob o ponto de vista de Xyloto, mantida em cativeiro, a história começa a apresentar alguns traços de sua personalidade. Sonhadora, mas agora cativa dos seus próprios sonhos. Seus sentimentos, suas angústias, seu desejo de liberdade. Por algum instante a narrativa nos mostra um garota frágil, que olhava para a sua infância e desejava talvez ser criança novamente e continuar esperando pelo mundo para vivenciá-lo em livremente.

“When she was just a girl
She expected the world
But it flew away from her reach
So she ran away in her sleep”

(Quando ela era só uma garota
Esperava o mundo
Mas ele voou além do seu alcance
Então ela escapou em seu sono).

Mas mesmo angustiada Xyloto mantinha as esperanças de que, de alguma forma, aquela triste realidade poderia se transformar no seu paraíso. E tudo que ela sonhava viver na infância acontecesse. Poderia ser tudo uma questão de tempo, ou ela talvez acreditasse que aquilo era o seu próprio destino.

“Life goes on, it gets so heavy
The wheel breaks the butterfly
Every tear a waterfall
In the night, the stormy night, she'll close her eyes
In the night, the stormy night, away she'd fly

And dreams of para- para- paradise

(A vida continua, fica tão pesada
A roda quebra a borboleta
Toda lágrima uma cachoeira
Na noite, tempestuosa noite, ela irá fechar os olhos
Na noite, tempestuosa noite, ela tinha voado

E sonhado com o paraíso)”

Xyloto repete exaustivamente frases referentes ao paraíso na tentativa de uma mudança. Ela acreditava. Ela precisava acreditar.

4. Charlie Brown: Enquanto isso Mylo encontra-se envolto numa nuvem negra, onde nada mais parece ter sentido, onde tudo está perdido. Atordoado, confuso e sem rumo o nosso protagonista resolve tentar encontrar um 'conforto' no submundo das drogas, um dos rastros do movimento libertário social.

“Stole a key,
Took a car downtown where the lost boys meet,
I took a car downtown and took what they offered me.
To set me free,
I saw the lights go down at the end of the scene,
I saw the lights go down and they're standing in front of me.”

(Roubei uma chave
Peguei um carro no centro onde rapazes perdidos se encontram
Peguei um carro no centro e peguei o que eles me ofereceram
Para me libertar
Eu vi as luzes se apagarem no final da cena
Eu vi as luzes se apagarem e eles em pé na minha frente)

Aos poucos Mylo vai desperdiçando a sua vida. Seus dias tornam-se monocromáticos, e a tristeza encontra cada vez mais lugar em sua alma. E quando pensamos que o caminho a ser percorrido era sem volta, eis que uma verdadeira explosão de sentimentos o traz à realidade.

“Light a fire, a fire a spark
Light a fire, a flame in my heart
We'll run wild
We'll be glowing in the dark”

(Acenda um fogo, um fogo uma faísca
Acenda um fogo, uma chama em meu coração
Iremos correr selvagemente
Iremos ser o brilho na escuridão)

Mylo parece ter acordado para a vida e percebido que ainda há uma esperança. Ainda há uma chama que insiste em não se apagar. E num misto frenético de euforia, alegria, vontade de viver e de amar Mylo corre de encontro a liberdade. A sua liberdade interior e a liberdade da sua amada.

Deixa-se então utilizar das latas de spray novamente para expressar seus sentimentos, muito mais intensos. “I be a bright red rose come bursting the concrete. Be the cartoon heart” (Eu serei uma rosa brilhante e vermelha destruindo o concreto. Seja o coração de desenho). Alusões feitas a alguns movimentos artisticos de caráter revolucionário da época, como o Flower Power, os grafites, o letrismo, entre outros. Mas mais do que isso, é Mylo mostrando o que lhe vai na alma, tão forte que chega a se transportar para um mundo quase fantasioso.

A canção assume então o papel de ponto de virada. A transição entre o impossível e o possível, entre a escuridão e a claridade, entre a tristeza e a alegria, o ódio e amor, entre o nada e o tudo.
  • Charlie Brown é um famoso personagem dos quadrinhos criado por Charles Schulz. Os traços de personalidade do personagem dos quadrinhos refletem-se no momento da vida de Mylo. Triste, melancólico, deprimido, infeliz, indeciso e sentindo-se um completo fracassado. Mas que de repente, em meio a esse turbilhão de fraquezas, uma clareira luminosa se abre e um sonho é aflorado.

5. Us Against the World: Mylo acorda e percebe que não está em um sonho, trata-se de uma realidade. Todas as peças começaram a se encaixar e enfim ele terá a oportunidade de encontrar a sua amada. Mylo se juntou a um grupo de estudantes que estava determinado a libertar os prisioneiros. Nosso herói relata brevemente fatos ocorridos naquele motim. Trata a dor física, da perda, mas também a dor da alma. Apresenta seus dilemas e obstáculos. Mas sobretudo o seu erguer, a busca pelo grande objetivo. E estava tudo tão perto.

Eis que o grande momento chegou. Quando eles rompem o portão principal do local Mylo grita desesperadamente por entre os corredores. Xyloto reconhece e corre de encontro a voz do seu amado. Em meio a tanta confusão, e banhados por poucos feixos de luz, os dois se encontram em um largo corredor. Imóveis por um instante os nossos personagens trocam olhares pela primeira vez desde o começo da história, desde a separação, desde o duro golpe. A partir daquele momento tudo parece se transformar em uma grande câmera lenta. Enquanto o mundo à volta deles desaba em caos, ambos parecem se transportar para uma nova dimensão, onde tudo é sereno, onde o amor encontra repouso.

“If we could float away
Fly up to the surface and just start again
Lift off before trouble just erodes us in the rain
Just erodes us in the rain
Just erodes us and see roses in the rain saying

Sing Slow-owow-owow-owow-it down
Oh, slow-owow-owow-owow-it down
Through chaos as it swirls
It's us against the world”

(Se pudéssemos flutuar
Voar até a superfície e começar de novo
E levantar antes que o problema nos corroa na chuva
Nos corroa, e ver rosas pela chuva dizendo

Cante devagar, bem devagar
Através do caos como rodemoinhos
Somos nós contra o mundo).

6. M.M.I.X.: O interlúdio parece dar continuidade ao momento dos nossos personagens na aparente calma. Carinho, beijos, abraços, choro de alegria, sorriso no rosto. Mas ao fundo é possível perceber sons distorcidos. Como se uma bolha estivesse envolvendo ambos e os mantendo ainda naquela outra dimensão. Mas eles não poderiam viver para sempre assim, mesmo que fosse esse o maior dos seus desejos. O caos, a confusão os esperava logo ali. Eles precisam fugir rapidamente.



7. Every Teardrop is a Waterfall: A adrenalina começa a substituir os sentimentos apaixonados e dá-se início a uma fuga eletrizante. É tudo uma grande aventura, o sorriso está estampado em seus rostos, tudo em uma perfeita sintonia – “I feel my heart start beating to my favourite song” (Sinto meu coração começar a bater com minha canção favorita).

As crianças dançando nas ruas, toda essa alegria, esse entusiasmo, quase uma frenesi. E aquele momento era de Mylo, era de Xyloto. E eles eram um só.

Em alguns dias os dois já parecem estar bem distantes de todo o caos. E o paraíso, a liberdade que almejavam, estava ao alcance de seus olhos – “And heaven is in sight” (E o paraíso está à vista).

Porém o sentimento revolucionário ainda os conduzia por aqueles dias. O movimento perdia suas forças em razão de violentas repressões. Começava-se a bradar a não entrega daquela geração, que lutou para não ser um ponto final, mas sim uma vírgula em toda a história.

"I turn the music up, I got my records on
From underneath the rubble sing a rebel song
Don't want to see another generation drop
I'd rather be a comma than a full stop"

(Eu aumento o volume da música, coloco meus discos para tocar
Debaixo das pedrinhas soa uma música rebelde
Não quero ver outra geração desistir
Prefiro ser uma vírgula do que um ponto final
)

Mylo agradece então por estarem vivos e juntos. Neste momento jura ver uma luz que quase os cegava falando doces palavras de que tudo iria ficar bem.

“And we saw oh this light I swear you, emerge blinking into
To tell me it's alright
As we soar walls, every siren is a symphony
And every tear's a waterfall”

(E nós vimos essa luz, eu juro, surgir piscando
Para me dizer que está tudo bem”
Quando voamos pelas paredes, toda sirene é uma sinfonia
E cada lágrima é uma cachoeira)

Mas apesar da aparente serenidade do momento, as lágrimas voltaram. Lágrimas que transbordam do rosto e transformam-se em verdadeiras cachoeiras. Mylo está decidido a retornar ao epicentro das manisfestações e continuar a lutar pelos seus ideais, a lutar pela sua geração. Para ele todas as tristezas e mágoas estavam diluídas. Sabia que naquele instante Xyloto estava bem e assim poderia tranquilamente voltar a servir na insurreição. Mas Xyloto não queria saber daquela loucura, queria ter o seu amado ali, para sempre. Não queria correr o risco de novamente perdê-lo. Tudo estava tão perfeito. Não, Mylo não poderia fazer isso com ela. Mas o rapaz está decidido. Por mais que ela chore e lhe bata de forma desesperada. "So you can hurt, hurt me bad / But still i'll raise the flag" (Então você pode me ferir, me machucar bastante. Mas eu ainda erguerei a bandeira).

8. Major Minus: Tudo recomeça com um aviso – “They got one eye watching you / One eye on what you do(Eles estão de olho em você. De olho no que você faz) seguido de uma série de conselhos para que se tenha atenção. Seria uma carta? Para quem? Seriam vozes ecoando na mente de Mylo? Ou seria Xyloto obrigada a conviver com a insegurança, com seus medos e angustias aflorados pela decisão de Mylo em partir? Parece que nenhuma das respostas podem ser claramente encontradas nesta canção. Apenas conselhos atrás de conselhos, como forma de alertar o nosso personagem.


9. U.F.O.: A canção é entoada como uma oração, é um momento a sós do personagem com Deus. Uma súplica para que lhe seja dado um caminho, para que não fique perdido em meio as suas tristezas.

“Lord I don't know which way I am going
Which way the river's going to flow”

(Senhor, eu não sei em qual caminho eu estou indo,
Qual caminho o rio vai correr).


Tanto Mylo quanto Xyloto acabavam por estar na mesma condição. Ele seguindo o seu caminho em direção ao front, mas agora com alguma insegurança, talvez refletindo se precipitadamente ele não tenha tomado a decisão errada. Ela atordoada, sem direção, sem chão, sem saber o que definitivamente fazer. É a busca pelo sobrenatural como válvula de escape para os seus problemas. A canção termina antes do seu final propriamente dito, dando espaço para um breve silêncio, uma reflexão, um pequeno vazio, seguido de leves sons que parecem nos transportar através do tempo.
  • UFO é a sigla em inglês Unidentified Flying Object (Objeto Voador Não Identificado, OVNI).

10: Princess of China: A melodia logo nos remete a algo futuro à época em que os nossos personagens se encontravam. Podemos deduzir que anos, ou mesmo décadas, se passaram desde então. E isso torna-se ainda mais claro depois da primeira frase entoada – “Once upon a time, somebody ran” (Era uma vez, alguém fugia). Um dos nossos personagens aparece apresentando fragmentos daquela história. É Mylo.

"Somebody ran away saying "fast as I can
I got to go, I got to go"
Once upon a time we fell apart
You holding in your hand the two halves of my heart"

(Alguém fugiu dizendo "o mais rápido que posso
Eu tenho que ir, eu tenho que ir"
Uma vez nós nos despedaçamos
Você segurando na sua mão as duas metades do meu coração)

Mylo remete ao momento em que ele tomou a decisão de partir e ela não o queria deixar ir. Então Xyloto aparece dizendo:

“Once upon a time we burned bright
Now we all ever seem to do is fight, on and on”

(Era uma vez, nós brilhávamos radiantes.
Agora tudo que parecemos fazer é brigar, de novo e de novo).

E descarrega todas as suas mágoas:

“And why'd you have to go?
Have to go and throw water on my flames

I could have been the princess, you'd be a king
Could have had a castle, worn a ring, but no
You let me go”

(E por que você teve que ir?
Ter que ir e jogar água em minha chama

Eu poderia ser a princesa e você o rei
Poderíamos ter tido um castelo, usado um anel
Mas não, você me deixou)

Ressentimentos, acusações e culpas são apresentados. As cartas estão na mesa. Os corações estão dilacerados. Esse não era o final feliz que ambos desejavam, definitivamente não era. Mas ali estavam eles, frente a frente, transformados quase em estranhos um ao outro. Frieza, calculismo, palavras jogadas ao vento sem o menor arrependimento. Os sentimentos guardados durante tanto tempo precisavam enfim encontrar uma saída. A canção termina com uma quase infinita troca de acusações -

'Cos you really hurt me
No, you really hurt me”

(Porque você realmente me machucou.
Não, você que realmente me machucou).


11. Up In Flames: Depois de tantas brigas e discussões, um tempo de reflexão. Um turbilhão na mente. Era tudo tão difícil. Até que um deles finalmente cede e admite que tudo acabou. “So it's over / This time I know it's gone” (Então acabou. Dessa vez eu sei que acabou). Um misto de tristeza, reconhecimento e arrependimento paira no ar. “Up in flames / We have slowly gone” (Em chamas. Nós temos caído lentamente). A canção segue acrescentando novos elementos que vão corroborando as frases repetidas. O arrependimento vai se martelando até tornar-se em uma única súplica para que tudo aquilo seja esquecido, a página vire e uma nova história seja contada – “Could we pour some water on?” (Poderíamos colocar um pouco de água sobre isso?).


12. A Hopeful Transmission: O último interlúdio de todo o álbum é auto-explicativo. Nosso personagem está carregado de esperanças e espera que seu sentimento possa encontrar pouso no coração do seu amor. Batimentos cardíacos são sentidos. Expectativa.


13. Don't Let It Break Your Heart: Mylo é quem se apresenta como o arrependido e esperançoso em um conserto. Ajoelhado perante a sua amada e com o coração contrito ele começa a apresentar o seu mundo caído num abismo, com tudo se perdendo. Mas como num sopro que retoma o fôlego Xyloto começa a aliviar a sua dor – “Come on baby / Don’t let it break your heart" (Vamos, baby. Não deixe isso quebrar seu coração). Mylo carrega consigo uma pequena chama de que nada está acabado - Though heavily we bled /Still on we crawl (Apesar nos sangrarmos profundamente, ainda rastejamos). Xyloto reconhece todo o esforço do seu amado e finaliza com as palavras que reconstroem peça a peça o coração fragmentado de Mylo, e também o seu.

“When you're tired of aiming your arrows,
Still you never hit the mark
Even your rains and shadows
Still we never gonna part

Come on baby don't let it brake your heart
Don't let it break your heart”

(Quando você está cansado de apontar suas flechas,
Ainda você nunca acerta o alvo
Mesmo nas suas chuvas e sombras
Ainda assim nunca iremos nos separar

Vamos baby, não deixe isso quebrar seu coração
Não deixe isso partir seu coração)

É o momento da reconciliação. Tudo volta a ser como eles sempre sonharam. Os erros do passado são esquecidos. O perdão e o arrependimento são aflorados. Um misto de choro e alegria toma conta dos nossos personagens. As batidas de coração marcam o final da canção. Os dois estão em total sintonia, amando como nunca se amaram antes.

14. Up with the Birds: Mylo e Xyloto finalmente encontram a paz, a liberdade com que tanto sonharam. Agora tudo é tão real, tão fascinante, tão apaixonante. Pequenos detalhes são relatados nos dando a plena certeza de que ambos ostentavam largos sorrisos em seus rostos. Abraçados, caminhavam pela manhã ao som dos pássaros, sentindo a leve brisa e os pequenos raios de sol encontrando suas faces.

“The birds they sang, break of day
"Start again", I hear them say
It's so hard to just walk away

The birds they sang, all a choir
"Start again", a little higher
It's a spark in a sea of grey”

(Os pássaros, eles cantam ao raiar do dia
“Comece novamente”, eu os ouço dizer.
É tão difícil simplesmente ir embora

Os pássaros, eles cantam todos em coro
“Comece de novo” um pouco mais alto
É uma faísca em um mar cinzento).

É quase um paradoxo, onde um quadro minimalista torna-se ao mesmo tempo rico em detalhes. E tudo aquilo os envolve e de repente eles se veem como parte integrante de todo aquele cenário. A realidade finalmente está bem viva diante e dentro deles. Toda aquela boa energia contagiante os faz respirar bem fundo. Mylo envolve sua amada em seus braços, e quase se sente como um pássaro.

“My arms turn wings
Oh those clumsy things
Send me up to that wonderful world
And then I'm up with the birds”

(Meus braços tornam-se asas
Aquelas coisas rudes
Levam-me para aquele mundo maravilhoso
E então eu estou subindo com os pássaros)

Tudo se torna perfeito então. O otimismo e a esperança se fazem bem presentes nos versos finais. É o momento de se começar uma nova história.

"Might have to go where they don't know my name
Float all over the world
just to see her again
But I won't show or fell any pain
Even though all my armour might rust in the rain
A simple plot, but I know one day
Good things are coming our way"

(Teremos que ir para onde eles não saibam do meu nome
Flutuando pelo mundo a
penas para vê-la novamente
Mas eu não vou mostrar qualquer dor ou medo
Apesar de toda minha armadura poder enferrujar na chuva
Um simples enredo
, mas eu sei que um dia
Coisas boas estão vindo em nossa direção)

Uma nova história. Sem dores, sem medos. Apenas apegados ao amor e com uma certeza no coração: Coisas boas estão por vir.

Mylo e Xyloto continuam caminhando, de mãos dadas. Cada olhar uma nova letra, cada sorriso uma nova palavra, cada passo um novo parágrafo e cada beijo um novo capítulo. E a história está apenas começando a ser escrita.